Economia, em geral, é apresentada do ponto de vista das finanças (como ganhar dinheiro) e da inflação e do dólar. Não que esses elementos não façam parte da economia, porém, quando se estuda a teoria econômica mais a fundo (em seus mais diversos aspectos), o que os seus autores e teorias oferecem é muito mais amplo e muito rico como um ferramental que permite compreender o passado e a realidade com bastante robustez. Uma leitura atenta da "Riqueza das Nações" de Adam Smith oferece ao leitor uma análise muito rica sobre a economia do que o conceito de mão invisível sugere. Quando o autor escocês aponta que os capitalistas possuem maior poder de barganha em relação aos trabalhadores e que isso deveria ser contido para que haja uma relação mais natural na fixação dos salários, essa é uma lição para os debate atuais sobre mercado de trabalho. O mesmo é válido para outros grandes autores da história do pensamento. O conceito de vantagens relativas de David Ricardo, mesmo sendo desenvolvido no século XIX, está incorporado, de modo inconsciente, nas análises dos economistas modernos.
O economista britânico, John Maynard Keynes, escreveu: "Os homens práticos que se julgam livres de qualquer influência intelectual são habitualmente escravos de algum economista morte" (Teoria Geral, p.348). Essa não é apenas uma frase de efeito, ao contrário, demonstra o quanto os economistas na formulação de suas análises e prognósticos se baseiam, mesmo que sem perceber, em ideias mais antigas ou em pressupostos formulados que possuem um sentido projeto econômico e político. Os livros-textos utilizados nos cursos de economia partem de diversos pressupostos ancorados em economistas clássicos para apresentar os modelos, desde a teoria da firma (microeconomia) até teorias de crescimento econômico (macroeconomia). Pensar de maneira mais aprofundada sobre o que os modelos querem dizer e, principalmente, as conclusões que se podem obter dessas análises é que fornece riqueza à teoria econômica para além de mero conjunto de equações e estatísticas.
O que se busca salientar é que a Ciência Econômica, quando combinada com a história, permite entendimento muito mais rico não apenas da realidade mas do objeto de estudo. A firma tradicional na microeconomia está assentada em um tipo ideal de firma que prevalecia no âmbito de livre concorrência de meados do século XIX. Por outro lado, no contexto da emergência do capitalismo oligopolista no final do século XIX e começo do XX, outras formas de se entender estruturas de mercado e a atuação das firmas são estudas, assim como, a compreensão dos objetivos e a forma de gestão empresarial são diferentes para cada período histórico. Nesse sentido, entender a Economia em seu aspectos mais crítico, no sentido de compreender pressupostos e a realidade por detrás da construção de uma teoria, permite uma compreensão muito mais abrangente do mundo.
O objetivo do blog é tentar fazer essa ponta entre realidade (presente e histórica) e a teoria econômica. Isto é, o que a ciência econômica ajuda a explicar da realidade, mas, assim como o que se discute no âmbito social tem base na Economia e o por que. Uma das inspirações é o canal do Youtube, Space Today, em que o Sérgio Sacani traz os artigos acadêmicos mais recentes para explicar um tema. Em alguns casos, com certeza buscarei o que há mais de recente sendo debatido na academia de Economia, porém, minha experiência como professor nas áreas de História do Pensamento Econômico e História Geral na FEARP-USP me mostraram que, também, autores clássicos pode trazer insights interesses para se pensar a realidade. Por exemplo, quando da leitura mais atenta do livro de "Economia Política" de John Stuart Mill, um autor liberal, rebate críticas ao socialismo de modo muito mais elegante do que muitos defensores do socialismo, isso me abriu mente para mostrar que há muito mais riqueza nos "economistas" mortos do que se imagina, assim como, a teoria econômica é muito mais interessante do que a "abstração" das aulas e livros-textos parecem sugerir.
Nesse sentido, este blog será um espaço para pensamentos (ou "despensamentos") sobre teoria econômica, história, sociedade e realidade.
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